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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Entregue-se ou sofra - Adyashanti

A Existência em Nós
Dois vídeos com Adyashanti

Vídeo 1



Eu sempre digo: meditação é a arte de deixar tudo ser como é. A primeira coisa que você tem que suspender, pelo menos
temporariamente, para que tudo seja como é, é a sua crença de que a coisa não é do jeito que deveria ser.
Se eu permitir que as coisas sejam como são, pode ser que eu não vá alcançar onde eu estou indo.
Mas se tudo já é, para onde você está indo?
A resposta então é muito clara: você está indo em direção à sua fantasia... e se em algum momento você chegar lá, só será uma fantasia."


Vídeo 2
Entregue-se ou sofra - Adyashanti




Transcrição do vídeo acima

Imagine a diferença de experiência: você estava dirigindo o seu carro
ou pelo menos você pensou que estava...
você não estava dirigindo nada na verdade, mas essa é outra história...
E então você aprende a navegar pela vida sem dirigir.
Agora, para quem está dirigindo, isso soa entediante, não é?
'Eu quero ir pra onde eu quiser. Quero ir pra esquerda quando eu quiser'
'E esse é precisamente o motivo de você não estar iluminado', você teria que dizer a essa pessoa.
Desde que você queira ir pra esquerda quando quiser, e acelerar quando quiser, e frear quando VOCÊ quiser,
seja bem-vindo à não-iluminação!
É engraçado que muitas pessoas estejam tentando se iluminar fazendo exatamente isso.
Mas existe uma condição e um estado de consciência que é estar no banco do passageiro.
Não soa nada interessante! Porque não existe controle no banco do passageiro.
Não existe a ilusão do controle.
E quem quer isso?!
Mas você só começa a desejar isso depois de passar tempo suficiente no volante percebendo que
o carro tende a ir por caminhos muito previsíveis.
Depois de um tempo, o cenário não é mais intressante.
Não é inventivo o suficiente, não é criativo o suficiente
E isso é baseado num equívoco fundamental, é baseado numa compreensão de que
você é um indivíduo separado do todo,
separado dos outros e separado da vida,
e você precisa ter certeza de que a sua vida e o seu carro vão pra onde você quiser que eles vão.
Se exite uma receita para o sofrimento, eu diria que é essa mesma. É a mais acurada possível.
O engraçado é que: essa receita para o sofrimento
é exatamente a mesma coisa que nós pensamos ser a receita para a felicidade. Não é?
'Faça isso e você será feliz. Dirija o seu carro, vire para a esquerda quando quiser, freie quando quiser,
faça a sua viagem ser exatamente do jeito que você quer e você será livre e feliz.'
Mas o problema é que, pelo fato dessa ideia ser baseada na separação,
ela não pode fazer alguém feliz definitivamente.
Não é possível, definitivamente. Momentos? Com certeza.
E quando você perceber isso, você vai se encontrar vindo a um lugar como este.
Algum lugar, em algum nível, em algum momento, de alguma forma.
E esse anseio, esse chamado, é um chamado para uma mudança de relação com a vida.
Acordar do sonho de ser o motorista...
O negócio é que quando você explica coisas assim para as pessoas dessa forma,
o ego pensa: 'Ah, isso seria chato, ficar no banco do passageiro, sendo levado aonde quer que seja,
e você sentado lá assistindo o mundo passar. Isso é interessante?'
Entretanto, essa é a perspectiva do ego e da separação.
Da perspectiva da totalidade, você está no banco do passageiro, você é o passageiro,
você é o banco, você é o carro, você é o motorista misterioso não-localizável,
você é a paisagem onde o carro se encontra, você é cada uma das experiências que vai encontrar no caminho...
Soa um pouco mais interessante, não é?
Mas o ego pensa: 'Como isso poderia ser divertido? Eu, como uma pessoa separada, estaria no banco do motorista.'
Mas na verdade, quando você passa pro banco do passageiro, não como um ego,
porque o ego fica entediado mesmo quando está no banco do passageiro...
Não enquanto ego.
Mas quando você reconhece a sua verdadeira natureza,
que é a unidade, ou como Meister Eckhart disse:
'Um único olho: o olho de Deus, e o seu olho são um só.
Uma só visão.'
E eu posso adicionar: Uma direção, uma paisagem, um ser...
E tudo que é necessário é que, por uma fração de segundo, nós larguemos nossa noção de quem somos.


fonte: http://anandashala.blogspot.com.br