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domingo, 29 de setembro de 2013

Entendimento Correto - O Lugar da Equanimidade

A Existência em Nós

Entendimento Correto - O Lugar da Equanimidade

...O nosso descontentamento se deve ao entendimento incorreto. Porque não exercemos o autocontrole dos sentidos,
colocamos a culpa pelo nosso sofrimento nas coisas externas…

A prática do Dhamma vai em sentido contrário aos nossos hábitos, a verdade vai contra os nossos desejos, por isso existe a dificuldade na prática. Algumas coisas que entendemos como erradas podem estar certas, enquanto que as coisas que tomamos como corretas podem estar erradas. Porque isso? Porque as nossas mentes estão no escuro, não vemos a Verdade com clareza...

Essa é a razão porque ainda não somos senhores de nós mesmos. Os nossos humores nos enganam o tempo todo. Não deveríamos tomar essa mente e as suas opiniões como nosso guia, porque ela não conhece a verdade...

Uma pessoa sábia deve refletir e ver a causa e efeito por si mesma antes de acreditar naquilo que ela ouve. Mesmo que o mestre fale a verdade, não acredite, porque você ainda não conhece a verdade, por si mesmo...

Antigamente eu vivia com outros monges, mas não me sentia bem. Eu escapei para as florestas e montanhas, fugindo da multidão, dos monges e noviços. Eu pensava que eles não eram como eu, eles não praticavam com a dedicação que eu praticava. Eles eram negligentes. Aquela pessoa era assim, esta pessoa era assim. Isso foi algo que realmente me causou uma grande comoção, foi a razão para a minha contínua fuga. Mas quer eu vivesse sozinho ou com outras pessoas eu ainda assim não tinha paz.

Sozinho eu não estava satisfeito, em um grupo grande eu não estava satisfeito. Eu achava que esse descontentamento era devido aos meus companheiros, devido aos meus humores, devido ao lugar onde estava morando, a comida, o clima, devido a isso e aquilo. Eu estava constantemente buscando algo que satisfizesse a minha mente...

O nosso descontentamento se deve ao entendimento incorreto. Porque não praticamos a
contenção dos sentidos colocamos a culpa pelo nosso sofrimento nas coisas exteriores. Quer vivamos em Wat Pah Pong, na América, ou em Londres, ainda assim nós não estamos satisfeitos. Ir viver em Bung Wai ou qualquer outro dos monastérios afiliados, assim mesmo não estamos satisfeitos. Porque não? Porque ainda temos o entendimento incorreto, apenas isso!
Onde quer que estejamos não estaremos satisfeitos...

Se tivermos o entendimento correto, para qualquer lugar que formos estaremos satisfeitos. Eu pratiquei e vi isso. Hoje em dia existem muitos monges e pessoas leigas que me procuram. Se eu ainda não soubesse, se ainda tivesse o entendimento incorreto, já estaria morto! O lugar correto para os monges, o lugar da equanimidade é justamente o entendimento correto. Não deveríamos procurar nada além disso.

Portanto, mesmo que você possa estar infeliz, isso não tem importância, essa infelicidade é incerta. Essa infelicidade é o seu "eu"? Existe nela qualquer substância? Ela é real? Eu não a vejo como real, de maneira nenhuma. A infelicidade é apenas uma sensação que aparece num instante e depois desaparece. A felicidade é igual. Existe consistência na felicidade? Ela é verdadeiramente uma entidade? É simplesmente uma sensação que relampeja de repente e desaparece. Pronto! Ela nasce e em seguida morre. O desejo relampeja por um momento e depois desaparece. Onde está a consistência no desejo, raiva ou ressentimento? Na verdade não existe uma entidade com substância, elas são apenas impressões que se espalham na mente e depois morrem. Elas nos enganam constantemente, não encontramos segurança em nenhum lugar.

Tal como disse o Buda, quando a infelicidade surge ela permanece por algum tempo, depois desaparece.
Quando a infelicidade desaparece, a felicidade surge e permanece por algum tempo e depois morre. Quando a felicidade desaparece, a infelicidade surge outra vez…continuamente dessa forma.
No final, só podemos dizer isto - exceto pelo nascimento, vida e morte do sofrimento, não existe nada mais. Existe só isso. Mas nós que somos ignorantes, corremos e agarramos constantemente. Nunca vemos a verdade das coisas e que existe somente essa contínua mudança. Se entendermos isto, então não precisaremos pensar muito, e teremos muita sabedoria.
Se não soubermos isso, então teremos mais pensamento que sabedoria - e talvez nenhuma sabedoria! Até que realmente enxerguemos as conseqüências danosas das nossas ações para que possamos abrir mão delas.

Se cortarmos um tronco de árvore e o jogarmos num rio e ele não afundar ou apodrecer, nem ficar preso nas margens do rio, esse tronco irá com certeza chegar ao mar. A nossa prática é igual. Se você praticar de acordo com o caminho estabelecido pelo Buda, seguindo-o com rigor, você irá transcender duas coisas. Quais duas? Exatamente os dois
extremos que o Buda disse não ser o caminho do verdadeiro meditador - entregar-se ao prazer e entregar-se à dor.
Essas são as duas margens no rio. Uma das margens do rio é a raiva, a outra a cobiça. Ou você pode dizer que uma margem é a felicidade e a outra a infelicidade. O "tronco" é a mente. À medida que "fluir rio abaixo" ela irá experimentar a felicidade e a infelicidade. Se a mente não se apegar a essa felicidade ou infelicidade, chegará ao "oceano" de Nibbana.
Você deve ver que não existe nada além de felicidade e infelicidade surgindo e desaparecendo. Se você não "ficar preso" nessas coisas, então você estará no caminho de um verdadeiro meditador.

Esse é o ensinamento do Buda. Felicidade, infelicidade, cobiça e raiva simplesmente existem na Natureza de acordo com a invariável lei da natureza. A pessoa sábia não os segue ou estimula, ela não se apega a eles. Essa é a mente que não se entrega ao prazer e não se entrega à dor. É a prática correta. E como aquele tronco de madeira irá finalmente chegar ao oceano, assim também a mente que não se apega a esses dois extremos irá inevitavelmente alcançar a paz.
fonte: http://www.ajahnchah.org